O mundo parou, ao saber da morte de Michael Jackson. Como pode, um homem só, causar tamanho alvoroço? Houve um colapso nos maiores site de busca e de relacionamentos na internet em função do tamanho de pesquisas feitas sobre ele. Os canais de televisão não falavam de outras coisas. Programas especiais foram feitos de última hora sobre. Milhares e milhares choraram a sua morte.
Confesso que até eu, fiquei sensibilizado. Não sei porque, mas fiquei. Digo isso, porque nunca fui muito fã dele. Eram na verdade o medo e o espanto os sentimentos que me vinham quando eu o via na tv.
Li no jornal de domingo do Globo uma frase sobre ele que diria interessante. Nela, ele era que nem Deus, nem preto nem branco, nem homem nem mulher, nem velho nem criança. Eu até acrescentaria, nem rico nem pobre. Não me lembro quem a escreveu(se foi você que está lendo este post agora, me desculpe por isso!), mas entre muitas outras frases, esta me chamou a atenção pelo motivo óbvio, a comparação com Deus.
É comum em nossa sociedade elevarmos homens e mulheres ao status de divindade. Temos o Deus da guitarra, Eric Clapton. O Deus do futebol, Pelé, ou para outros, Maradona. Esse último, até uma igreja tem. Criamos nossos ídolos quase na velocidade da luz. É só participar de um programa na tv para se tornar celebridade, ser seguido por paparazzis...na falta de ídolos, o homem talvez se sinta só, sem referências, sem ter alguém a quem seguir. Somos assim.
Isso é tão sintomático em nossa sociedade que parece ser comum alguém “famoso” não conseguir nem sair de casa sem ser quase que sufocado pelos ídolos, imprensa e curiosos de plantão.Se pensarmos a fundo, isso é loucura.
Esse era o caso de Michael Jackson. O homem que era endeusado por todo o mundo. Um sujeito cheio de paradoxos e idiossincrasias estranhas. De fato, não sei se era branco ou preto. Acho que nem ele mesmo sabia. Talvez eu concorde com outra frase que estava no jornal sobre ele, subiu tanto, que perdeu a comunicação com este mundo aqui. Mas o fato é que de normal, ele nada tinha. E nós temos culpa nisso.
Temos culpa quando o dizemos que ele é mais do que ele de fato é. Ao colocar alguém em tanto destaque, ele se sente tanto que não consegue mais saber quem é mais e quais os limites que existem para ele, homem. Ele se perde em si próprio. Tenta então voltar a ser criança, mora na Terra do Nunca. Faz plásticas e mais plásticas para evitar as marcas do tempo. Vive em volta de crianças, para quem sabe, tentar ser uma novamente, já que sua infância não foi a das melhores(provavelmente não tão diferente de diversas tantas outras crianças no mundo). Ele pensa que é o Deus, que tudo pode.
Pena foi, não ter conhecido o Deus que da fato se fez homem. O único homem-Deus que já existiu e que ao inverso, fugiu da fama e da idolatria, escolhendo servir ao invés de ser servido. Os homens, como sempre, queriam o corar como rei, mas ele preferiu a manjedoura e a coroa de espinhos para que os outros homens, como o Michael, pudessem morar um dia, não na Terra do Nunca, mas na terra do (para) sempre.
texto de Paulo Brabo, em A Bacia das Almas




