domingo, 17 de maio de 2009
Por que eu não seria evangélico
..caso eu já não fosse um deles.
A cada dia me envergonho mais de ser um evangélico, e creio que grande parte seja causada pelo sentimento de vergonha alheia. Que fique bem claro que eu não me envergonho de ser um Cristão, de seguir o estilo de vida proposto pelo maior revolucionário de todos os tempos. Que se saiba também que eu não estou apostatando da fé, mas estou é desistindo, aos poucos de ser um evangélico, de seguir modelos ultrapassados, de receber continuamente um convite à alienação, e ver que a última coisa que se faz na maioria das igrejas evangélicas é cultuar o nome de Deus por intermédio do exemplo do Cristo.
Cito abaixo algumas rasões pelas quais, caso eu já não fosse um destes, eu não me tornaria um evangélico.
1. Porque não nos cansamos de pregar o mesmo evangelho da bênção, o mesmo evangelho da prosperidade, nos esquecemos do evangelho da compaixão, da caridade, nos esquecemos que a maior mensagem é a do amor. Aliás, até nos lembramos do amor, do insano amor ao dinheiro, e vamos enchendo nossos templos, inflando nossos egos e comprando mais e mais horários na tv e no rádio para anunciar ao mundo o nosso deturpado evangelho.
2. Porque os santos evangélicos abdicamos do exercício de nossa suposta santidade quando a coisa diz respeito a conviver com o diferente. Por que nós pregamos sobre a passagem do bom samaritano mas sempre nos comportamos como levita e o sacerdote omisso. Achamos linda a maneira com a qual Jesus realizava milagres entre prostitutas e leprosos, mas não conseguimos fazer o mesmo com os excluídos desse tempo.
3. Porque os evangélicos sabemos que para Deus não importa o lugar da adoração, se é em Samaria ou em Jeruzalém, mas continuamos a ensinar que para adorar de verdade tem que ser na igreja, com fundo musical com bastante glória e aleluia e ainda chamamos isso de verdadeira adoração.
4. Porque fazemos de nossos cultos verdadeiros shows, um espetáculo recheado de histerias, com direito a saltos, gritos, momentos intermináveis falando em línguas estranhas e ainda olhamos para quem não o faz como se ele fosse um estranho.
5. Porque sempre pregamos dizendo "Essa é uma verdade que a bíblia nos revela" quando queremos que deem atenção ao que estamos falando, mas no fim das contas quase nunca damos a devida atenção a Cristo que é a verdade revelada.
6. Porque usamos para símbolos de nossas igrejas sempre uma pomba, um foguinho, uma espada, uma sarça e coisas parecidas e esquecemos que o símbolo maior é a cruz, onde foi consumada uma história de dedicação pelo outro em amor, protagonizada por Jesus.
7. Porque somos sectaristas, não aceitamos o cristianismo dos católicos, não aceitamos o cristianismo das outras denominações e muitas vezes não aceitamos o cristianismo do irmão sentado ao lado de nós no templo.
8. Porque criticamos a idolatria aos santos, não conseguimos muitas vezes enxergar a arte nas esculturas e pinturas da ICAR. Mas além disso, nós mesmos somos muitas vezes os maiores idólatras, pois quando não exaltamos a Paipóstolos e bispos a torto e a direito, criamos modelos infalíveis de contato com deus e a esses modelos adoramos.
9. Porque teimamos, em nossa ilusão religiosa, em achar que há duas classes de pessoas, os bons e os maus, e que os bons são os que são parecidos conosco, e os maus todo o restante.
10. Porque cremos numa conversão que é expressa em abandonar memórias, acontecimentos prazerosos do passado, e mais ainda, transformamos toda e qualquer forma de prazer em pecado, e a cada dia vamos inventando pecados novos, vivendo na graça mas se deleitando na lei por detrás da moita. E nesse modelo de conversão nem mesmo nós sabemos ao certo do que estamos nos libertando.
E quem me dera se eu tivesse lido isso antes de levantar a mão e dizer aceito.
Texto de Nilton de Freitas (blog Not-lin).
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2 comentários:
Realmente viver segundo um evangelho deturpado não nos acrescenta em nada. Mas, ainda que em poucos casos, sabemos que ainda existem pessoas e igrejas que pregam o evangelho genuíno e puro. Cientes disso, cabe a nós, cristãos, esperançar o mundo em um amor verdadeiro deixado exemplarmente por Cristo e, ainda que muitos não o façam, se quero mudar essa situação devo fazer a minha parte e não "rever meus conceitos" pensando "será que eu devo continuar sendo um evangélico?"
Se estamos todos no mesmo barco e de repente ele fura, devemos pular pra fora e deixar que os outros consertem ou ajudar a consertar? Pense nisso. Eu ainda creio no verdadeiro evangelho (ainda que muitos o estejam deturpando).
O texto é magnifico e um dos melhores dos ultimos tempos, todavia o texto coloca todos no mesmo balaio de gato, da mesma forma que a imprensa nacional, sendo assim uma grande ignorancia. Quanto a ideia de adoração, é obvio que podemos adorar a Deus em qualquer lugar, no entanto esse desprestigio pela igreja é absurdo, pergunto: havendo um rebanho de dez ovelhas e uma ovelha distante deste rebanho, qual o lobo irá em busca para devorar? Na realidade o processo de comunhão estabelecida na igreja e sua necessidade são exemplos biblicos deixados para o crescimento e o fortalecimento da fé do cristão, fato que o autor do texto e este que teve a coragem de republica-lo parecem não conhecer. A igreja msm como instituição que é oq ela é hj tem esse papel de comunhão na vida do cristão.
Quanto ao catolicismo julgue pelas escrituras, que como o autor diz é a fonte da verdade. Respeito sempre tem de haver, o que não pode é sustentar esse ecumenismo barato que o autor tentar por acusar-nos de sectarista,quantas vezes Paulo orientou os fieis a se afastarem de determinados "profetas" por pregarem um outro evangelho? oq o autor sustenta mais parece um ecumenismo barato. Quanto ao resto que se falou concordo em partes mas e acrescento o comentário anterior... dpois quem sabe passo e comento algo mais... mas eu certamente aceitaria a Cristo todas as vezes que me perguntassem, pq com todos os defeitos da "igreja" evangélica (seus fieis pq nós fazemos a igreja) eu continuo para lutar contra toda sorte de vento de doutrina que comntra ela se abate ao invés uns e outros que fogem da luta e não vem que mais importantes seria estar lá fazendo seu papel.
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